QUAL É O VOSSO DESAFIO?
Mensagem de Neale Donald Walsch,
30 de novembro de 2010
 

Tem sido um tempo interessante nas vidas de muitos de nós e tenho recebido um número de emails e de cartas maior do que o habitual de pessoas que estão a enfrentar enormes desafios. Sei que já falei acerca deste aspecto da vida antes e, assim, hoje fui procurar um comentário anterior que ofereci sobre este mesmo assunto.

Encontrei-o nos ficheiros do meu computador e fiquei impressionado como é uma resposta perfeita para muitos dos que me têm escrito recentemente. Nesse comentário eu dizia que não me parecia que a vida exigisse, em particular, coragem. Determinação, talvez. Obstinada perseverança, talvez. Muita tolerância com as pessoas mais velhas, que eu pensava, na minha arrogância da juventude, que não percebiam nada de todo, talvez. Mas não necessariamente um monte de coragem.

Estava errado.

Assim que descobri realmente o que era a vida – o que não aconteceu até eu ter 50 anos, a propósito – eu compreendi muito rapidamente que a coragem seria necessária. Contudo, mesmo então não penso que estivesse muito esclarecido sobre quanto. Agora estou.

Do que a vida trata realmente é da viagem da nossa alma. Estamos numa interminável caminhada através do tempo, movendo-nos do Reino Espiritual para o Reino Físico e vice-versa.

É uma viagem alegre, deixai-me torná-lo claro, e é por isso que nós a criámos e a estamos a aproveitar. A alegria na jornada vem de experimentarmos e re-experimentarmos, de criarmos e re-criarmos, de conhecermos e sabermos de novo Quem Nós Somos Realmente. A Meio Caminho entre o Reino Físico e o Espiritual está o Reino da Realidade Derradeira. É onde nos reunimos com a Essência Essencial no momento de felicidade que é descrito por algumas tradições místicas orientais como o “Nirvana”.

Tudo isto é descrito com lindos pormenores na extraordinária conclusão da série de livros Conversas com Deus, EM CASA COM DEUS numa Vida Que Nunca Acaba. Agora que eu sei exactamente o que se está a passar aqui, posso concluir sobre a razão real para estar na Terra.

Isto não quer dizer que o meu dia-a-dia tenha que mudar. Não tenho que mudar de emprego. Não tenho que mudar de local. Não tenho que mudar o meu estado conjugal. Não tenho que mudar nada na minha vida que está na minha vida neste momento. O que eu irei mudar, muito voluntariamente, não é o que estou a fazer na minha vida, mas como o estou a fazer.

Se eu entender que esta vida física foi criada para mim como um meio de decidir e de criar, de me tornar e vivenciar Quem Eu Sou Realmente e Quem Eu Escolho Ser Agora, então a forma como eu passo por cada momento na minha vida vai ser bastante diferente da forma que era antes de eu ter entendido isto. Porque, sabeis, em cada momento da minha vida eu vou estar a convidar-me a mim mesmo – não, mais do que isso … a desafiar-me – a tornar-me na próxima versão maior da maior visão que eu tive acerca de quem eu sou.

Se eu dissesse que eu sou “o que é compassivo”, não seria suficiente para mim simplesmente ser tão compassivo como eu era ontem. Como eu me re-crio de novo no próximo momento dourado do agora, eu vou alcançar a próxima expressão maior da compaixão. Não posso estar satisfeito relativamente à forma como era compassivo no mês passado, ou no ano passado, ou na década anterior. Se eu disser que eu sou “o que ama”, não vai suficiente para mim ser tão amoroso como eu era ontem. Como eu me re-crio no próximo momento dourado do agora, vou alcançar a próxima expressão mais grandiosa do amor. Não posso ficar satisfeito com a forma como eu amava no mês passado, ou no ano passado, ou na década anterior. E assim, também, com cada aspecto da divindade que eu escolho expressar através de mim, como eu. 

É preciso grande coragem para avançar para o próximo nível. E isto gera grande alegria quando se chega lá. Perguntai a um patinador Olímpico. Perguntai a qualquer bailarino de ballet. Perguntai a     qualquer escritor que acabou de terminar um livro ou a qualquer atleta que acabou de alcançar a meta, ou a qualquer actor que acabou de ser seleccionado para o elenco. Ou perguntai a alguém que se esforçou por adquirir qualquer coisa de valioso na vida – tal como, por exemplo, uma bonita relação de compromisso duradoura com outro ser humano.

Passar pelos cardumes rochosos de uma relação ao longo da vida, e manter essa relação intacta, exige grande coragem. Trata-se de uma das coisas mais corajosas que qualquer pessoa pode fazer e, seguramente, uma das mais difíceis. O mesmo é válido para o compromisso de alguém em qualquer coisa de significativo e considerável esforço. E imaginai se estivermos a falar de uma relação de uma vida com Deus… e com o Eu Superior.

Muitas pessoas percorrem as suas vidas inteiras e nunca têm uma relação importante e verdadeiramente significativa com o seu próprio Eu Superior. Muitas pessoas nem sequer sabem o que é isso. Muitas são apanhadas numa história falsa acerca de quem são e perdem completamente a oportunidade nesta vida de criarem e desenvolverem o tipo de relação com Deus e com o Eu de que estou aqui a falar.

Não quero ser crítico, trata-se simples e meramente de uma observação. E posso estar errado. A minha observação pode ser incorrecta. Mas uma coisa vos posso dizer. Aqueles que criam e desenvolvem uma relação com Deus e com o Eu de que vos falo aqui têm aprendido, tal como eu, que é preciso coragem pura para o fazer. Isto porque, na busca pelo Eu Superior, inevitavelmente encontramos o eu inferior – e isso nunca é uma imagem bonita.

À medida que eu encontro o meu eu inferior – o que, eu vos garanto, faço todos os dias e, por vezes, das mais inesperadas maneiras – devo invocar grande compaixão e grande amor. Devo aprender a dar estas dádivas a mim próprio. E esta não é uma coisa fácil de fazer. Eu descubro que sou a última pessoa que estou disposta a perdoar. Cometi alguns erros graves na minha vida. Fiz algumas coisas muito pouco amáveis. Infligi enormes sofrimentos nos outros. Tenho sido inacreditavelmente egoísta e imensamente insensível e negligente. E isto é apenas a metade.

E, à medida que percorro a minha vida, estou profundamente ciente de tudo o que disse acima, de cada momento em que sou ineficiente, de cada instância em que falhei, para ser agradável, no máximo. E assim, agora, enquanto caminho para o último quarto da minha vida, acho que é preciso grande coragem para me encarar, encarar o meu passado e encarar o compromisso que fiz interiormente. Pois esse compromisso chama-me para uma expressão mais elevada e para uma experiência mais ampla do meu Eu Verdadeiro.  E sou confrontado com essa escolha a cada momento de cada dia.

De cada vez que me olho no espelho, sou lembrado disso. De cada vez que olho para a face daqueles Outros Amados que povoam a minha vida, que criei como meus companheiros desta viagem e co-criadores do meu argumento de vida, eu sou lembrado disso. De cada vez que pego num livro espiritual realmente bom, ou ainda leio artigos tal como este (muito menos quando os escrevo), eu sou lembrado disso. A vida lembra-me do meu compromisso com a vida em cada momento da vida que estou a viver. Este é o propósito da vida – e eu só o entendi nestes anos mais recentes.

Deste modo, embarco hoje na jornada, mais uma vez, pedindo a Deus pela Sua ajuda, sentindo que Ele vai estar comigo cada passo ao longo do caminho, e rezando que eu possa neste dia chegar mais próximo do objectivo que eu tracei para mim mesmo: que eu possa perdoar-me pelos meus ontens, que eu possa amar-me em todos os meus hoje, e que eu possa experimentar-me a mim mesmo, pelo menos, como Quem Eu Realmente Sou nos meus amanhãs.

Uma das minhas maiores alegrias é saber que não estou a caminhar sozinho. Todos vós estais a caminhar comigo. Nós embarcámos nesta viagem juntos, e juntos, com a compaixão e o amor como nossos guias, podemos conduzir-nos uns aos outros de volta a Casa. Este é o nosso convite, esta é a nossa oportunidade e esta é a nossa razão para nos encontrarmos uns aos outros enquanto estamos neste preciso momento. Quando eu o compreendo, isto torna-se o Momento Sagrado, e eu honro-o e vivencio-o como sagrado, agora e para sempre.

E a vida nunca mais é a mesma.

Amor e abraços,

Neale

 
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© 2010 Fundação Recreation – http://www.cwg.org – Neale Donald Walsch é um mensageiro espiritual contemporâneo cujas palavras continuam a tocar o mundo. A sua série de livros Conversas com Deus foi traduzida para 27 línguas e tem inspirado importantes mudanças nas vidas de milhões de pessoas.

Tradução: Ana Belo – anatbelo@hotmail.com

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